A CASA DA ARQUITECTURA FELICITA PAULO MENDES DA ROCHA PELOS SEUS 90 ANOS E CONVIDA TODOS A VISITAR A EXPOSIÇÃO “DUAS CASAS DE PAULO MENDES DA ROCHA”

A vida de Paulo Mendes da Rocha confunde-se com parte da história do país que o viu nascer. O maior arquiteto brasileiro em atividade atravessou vários momentos da história do Brasil, como a crise de 1929 – um ano após o seu nascimento – e a revolução em São Paulo de 1932. Foi perseguido pela ditadura militar, que lhe restringiu a liberdade no acesso ao trabalho e impediu de continuar a ser professor por 10 anos, e, atualmente, é também testemunha de um dos mais marcantes momentos políticos do país, onde se vive a reta final da polémica campanha que opõe as candidaturas de Bolsonaro e Haddad.

 

Hoje comemora 90 anos e a Casa da Arquitectura não poderia deixar de assinalar essa data, felicitando Paulo Mendes da Rocha pelo seu aniversário.

 

Prémio Pritzker em 2006, Leão de Ouro de carreira na Bienal de Arquitetura de Veneza  em 2016, Paulo Mendes da Rocha é um dos grandes doadores do acervo da Casa da Arquitectura e o seu primeiro sócio honorário, distinção esta que foi anunciada durante a inauguração da Exposição “Infinito Vão – 90 Anos de Arquitetura Brasileira” que decorreu no fim de semana de 28 a 30 de setembro. Nessa altura, abriu igualmente a Exposição “Duas Casas de Paulo Mendes da Rocha” com curadoria do arquiteto Nuno Sampaio, que vai ficar patente, na Galeria da Casa, até 10 de fevereiro.

 

Em 2015, Paulo Mendes da Rocha doou o projeto original do Museu dos Coches à Casa da Arquitectura, sendo um dos primeiros arquitetos a oferecer materiais originais para integrar a Coleção Arquitetura Brasileira – um vasto acervo de projetos, desenhos, maquetes e livros que conta a história da arquitetura moderna e contemporânea brasileira de 1930 até à atualidade. Na Coleção agora ao cuidado desta instituição encontram-se projetos tão icónicos como o  Museu Brasileiro da Escultura, o SESC 24 de Maio, a Pinacoteca do Estado, a Casa Gerassi e a Capela de São Pedro.

 

Paulo Mendes da Rocha nasceu em 1928 em Vitória, Estado do Espí­rito Santo, no Brasil, tendo-se formado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, em São Paulo, em 1954. Possui uma obra extensa que se tem vindo a notabilizar a partir do ano de 1957, com a construção do Ginásio do Clube Atlântico Paulista, em São Paulo, a sua primeira obra de referência, projeto com o qual ganhou o Grande Prémio Presidência da República na VI Bienal de São Paulo. Em 1969, executou o projeto do Pavilhão Oficial do Brasil na Expo 70, em Osaka, no Japão, juntamente com Flávio Motta, Júlio Katinsky e Ruy Ohtake, e esteve entre os finalistas premiados no concurso para o anteprojeto do Centro Cultural Georges Pompidou, em Paris (1971).

 

Entre os seus principais projetos, encontra-se também o Museu Brasileiro de Escultura – MUBE, em São Paulo (1987), obra que lhe valeu a indicação para o I Prémio Mies van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana, uma iniciativa da Fundação Mies van der Rohe (1999), o restauro da Pinacoteca do Estado de São Paulo, que lhe valeu o Prémio Mies van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana, em Barcelona (2000), a Capela de São Pedro Apóstolo, construção anexa ao Palácio Boa Vista, em Campos do Jordão (1987), o Museu de Arte de Campinas (1989) e a Casa Gerassi (1989/1990), o projeto do conjunto arquitetónico do Cais das Artes, constituí­do por um Museu e um Teatro, na Enseada do Suá, em Vitória, cuja construção teve início em 2010. É também da sua autoria o projeto para uma cobertura sobre a Galeria Prestes Maia, na Praça do Patriarcado, em São Paulo (2002) e a intervenção e reforma da Estação da Luz, em São Paulo, convertida em Museu da Língua Portuguesa naquele local (2006).

 

Como referiu Nuno Sampaio, diretor executivo da Casa da Arquitectura, na cerimónia de atribuição do diploma de sócio honorário a Paulo Mendes da Rocha, a sua obra, “uma das mais prestigiadas e reconhecidas em todo mundo, tornou-se ‘universal’ um ‘lugar comum’ da arquitetura respeitada, uma referência singular, plena de sentido e coerência no mundo contemporâneo. Para ser compreendida deve ser lida como um todo, em que cada realização faz parte de um universo mais amplo, claro, translúcido e nítido: o seu. Felizmente não é um universo simples ou de compreensão imediata, requer preparação e alguns instrumentos para a sua compreensão, mas é um universo sistematizado, organizado, ordenado e pleno de sentido, tal como a sua arquitetura. É obra de um profissional universal, uma referência cultural que nos lembra o indizível: a arquitetura, quando idealista e corajosa, emana dimensão política.”