Conferência OUTSIDE JOB esgotou o auditório da Casa das Artes

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O que fazem (e como fazem) os arquitetos portugueses pelo mundo

Ciclo de conferências “Outside Job – Reporting design process overseas / A diáspora da arquitetura portuguesa
Nuno Ravara é associado do ateliê Herzog & de Meuron e tem liderado projetos como o do Fórum de Barcelona ou o da nova sede do BBVA em Madrid. Sérgio Rebelo trabalha com o mexicano Fernando Romero e tem estado envolvido em projetos icónicos e de grande escala como o Museo Soumaya da Cidade do México, o Latin American Art Museum de Miami (2016) ou o novo (e gigantesco) aeroporto da Cidade do México. Diogo Bleck trabalha com Norman Foster e acaba de concluir quatro enormes estações da linha férrea que vai levar os peregrinos a Meca, a Haramain High Speed Rail, da Arábia Saudita. Têm em comum o facto de serem arquitetos portugueses e de terem apresentado o seu trabalho no âmbito do ciclo de conferências “Outside Job – Reporting design process overseas / A diáspora da arquitetura portuguesa”, organizado pela Casa da Arquitectura: Centro Português de Arquitectura.

Comissariado pelo arquiteto Diogo Brito, o evento reuniu dez arquitetos portugueses que trabalham em alguns dos maiores gabinetes, escolas e revistas de arquitetura do mundo, esgotando durante todo o passado sábado o auditório da Casa das Artes do Porto. Se dúvidas existissem, ficou confirmado o grande interesse da comunidade ligada à arquitetura pelo trabalho dos arquitetos portugueses além-fronteiras. O ciclo dará, por isso, origem a uma publicação que partilhará as diferentes metodologias apresentadas pelos participantes, assumindo-se como uma ferramenta auxiliar do trabalho dos arquitetos.

Das aquarelas seminais que estão no início dos projetos no norte-americano Steven Holl, que Filipe Taboada acompanha de perto, ao minimalismo cultivado no ateliê do inglês John Pawson, onde Francisco Marques é diretor de projetos, passando pela sensibilidade quase poética das obras de Kengo Kuma em que Rita Topa trabalha, o ciclo permitiu perceber os diferentes métodos e as diferentes escalas de trabalho com que os arquitetos portugueses se deparam quando trabalham no estrangeiro. Do simples esquisso à construção de maquetas, das mais modernas ferramentas informáticas aos mundos paralelos da realidade virtual, os arquitetos portugueses da diáspora explicaram o trabalho que fazem e o modo de trabalhar de alguns dos escritórios onde se dá corpo às cidades do futuro.

Sintetizadas por Diogo Burnay, diretor da Dalhousie School of Architecture de Halifax, as conferências permitiram ainda perceber de que modo o talento e as qualidades técnicas dos arquitetos portugueses são valorizados nos principais ateliês do mundo, abrindo novos campos de trabalho aos jovens.
João Barroso, diretor de Projetos da Adjaye Associates, de Londres, explicou as dificuldades de intervir no centro da capital inglesa, enquanto Joana Rocha Sá Lima, fundadora da Conditions Magazine, de Oslo, e João Albuquerque, associado do Bjarke Ingels Group, de Copenhaga, trouxeram a experiência da arquitectura no norte da Europa.

O ciclo de conferências “Outside Job – Reporting design process overseas / A diáspora da arquitectura portuguesa” contou com a parceria do Ministério da Cultura e com o apoio da Otiima, da Innovus, da revista a.mag e da Ordem dos Arquitectos.

A Casa da Arquitectura/Centro Português de Arquitectura é, recorde-se, um projeto de âmbito nacional dedicado à divulgação, ao arquivo e à valorização da arquitetura. No seu acervo estão já representados, entre outros, projetos e maquetas dos três Prémios Pritzker de língua portuguesa: Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto de Moura e Paulo Mendes da Rocha, pretendedo assumir-se, segundo o seu diretor executivo, Nuno Sampaio, como um centro privilegiado para a reflexão sobre a arquitetura e o seu papel na construção do mundo.

 

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