conferências da CASA: “O MAL-ESTAR DA FORMA”, Porto, 26 Maio e 02 Junho

 

"O MAL ESTAR-DA FORMA"

Desde os inícios do século XX que a Arte tem revelado uma embaraçosa dificuldade de convivência com a forma. Este problema, que é transversal a todas as artes, desde a música à literatura, teve um particular impacto nas ‘Artes do espaço’. Esse mal-estar perdura, portanto, há mais dum século, o que significará que se trata dum problema profundo, duradoiro, e que merece continuar a ser interrogado e reflectido. Não será por acaso que o texto porventura mais importante do mestre do abstraccionismo, V. Kandinsky, se chame justamente ‘Do espiritual na arte’. O espírito, no seu papel clássico de oposição à matéria, é aquilo que não se dá numa forma, que resiste a qualquer montagem visual.

A arquitectura tem manifestado também alguns sintomas de mal-estar em relação às imposições formais que a matéria que manipula obviamente lhe impõe. O desejo de poder alcançar uma ‘arquitectura do vento’ que resista a uma forma rígida e definitiva, tematizada e tentada por Toyo Ito, mantém-se latente em muita arquitectura contemporânea.

A CASA DA ARQUITECTURA com o patrocínio da FAMO e apoio da FAUP – Faculdade de Arquitectura da Univ. do Porto realiza um ciclo de conferências que, duma forma interdisciplinar, reflicta sobre estas questões.

 

PROGRAMA DAS CONFERÊNCIAS:

Auditório Fernando Távora

FAUP – Faculdade de Arquitectura da Univ. do Porto

 

26 MAIO:

18h30  – “Da arte da representação à arte da sensação, uma leitura de ‘A lógica da sensação’ de G. Deleuze” por EUGÉNIA VILELA, Prof. de Estética na Faculdade de Letras da UP

‘Duma lógica da representação a uma ‘lógica da sensação’. A interpretação muito peculiar que Gilles Deleuze faz da pintura de Francis Bacon. A partir desta análise, algumas achegas sobre o mal-estar da forma, se é que algum dia ela repousou em bem-estar…’

EUGÉNIA VILELA é docente de Estética no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde se doutorou em Filosofia, e Investigadora Responsável do Grupo de Investigação“Estética, Política e Arte” do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto. Autora de conferências e artigos no âmbito da Filosofia e das Artes, publicou, entre outros textos em obras colectivas, os livros Do Corpo Equívoco (1998) e Silêncio Tangíveis. Corpo, Resistência e Testemunho nos Espaços Contemporâneos de Abandono (2010). O seu trabalho desenvolve-se no espaço de intersecção da Estética, da Filosofia Política Contemporânea e da Arte.

19h15  . Intervalo

19h30“Alguns sintomas do mal-estar da forma na Arquitectura Contemporânea” por ÁLVARO SIZA, Arquitecto

‘Tema suficientemente ambíguo para ser aberto.
Referindo-o à arquitectura, o mal estar da Forma decorrerá da resistência ou recusa em encontrar a sua razão de ser – procurando-a obstinadamente e sem limites.

Cedo a Forma se revela consumível – vulnerável ao Tempo – quando surge como invenção radicalmente autónoma.
A Forma definitiva surge como resposta a exigências precisas – e por isso temporárias – na condição de, servindo-as, delas se libertar (aparente contradição que deve dominar o desenvolvimento de um projecto).´

ÁLVARO Joaquim de Melo SIZA Vieira nasceu em Matosinhos em 1933. Estudou Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes do Porto entre 1949 e 1955, sendo a sua primeira obra construída em 1954. Ensinou na ESBAP entre 1966 e 1969; reingressou em 1976 como Professor Assistente de "Construção". Foi Professor Visitante na Escola Politécnica de Lausanne, na Universidade de Pensilvânia, na Escola de Los Andes em Bogotá, na Graduate School of Design of Harvard University como "Kenzo Tange Visiting Professor"; leccionou na Faculdade de Arquitectura do Porto. Exerce a profissão na cidade do Porto.

 

02 JUNHO:

18h30“ O mal-estar da forma, uma perspectiva da História da Arte” por LAURA CASTRO, Prof. de História da Arte na Escola das Artes da UCP-Porto

‘Trajecto irregular e oportunista pela história da arte em busca dos diferentes modos de relacionamento de artistas, exposições e publicações com a forma, seja ela a boa, a má ou a assim-assim. Ou de como a boa se pode converter na má e vice-versa. E de como a assim-assim pode passar de vilã a heroína.’

LAURA CASTRO, docente na Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa – Porto e investigadora do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) da mesma Escola. Doutorada pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto com o trabalho “Exposições de arte contemporânea na paisagem. Antecedentes, problemática e práticas” (2010). Entre o início da década de 90 e 2006 trabalhou em museus municipais de Matosinhos e Porto. Publicou artigos e livros sobre arte portuguesa dos séculos XIX e XX.

19h15 . Intervalo

19h30  –  “O mal-estar do corpo” por JÚLIO MACHADO VAZ, Psiquiatra

‘Para um Professor de Antropologia Médica, sexólogo nas horas (pouco) vagas, o tema é irresistível. Tanto na área da Sexualidade como na da Medicina, o Corpo sempre foi um ecrã cultural por excelência. No qual se projectaram as questões de Género, as Ideologias e Práticas Médicas, enfim… os dilemas que habitam o Cérebro, essa parte do Corpo que tendemos a opor-lhe, eternos nostálgicos de chavetas que somos. Da Antiguidade Clássica à Medicina em tempos de Internet procurarei dar exemplos do velho aforismo: contra factos não há argumentos; mas há interpretações! Que transformam o Corpo numa realidade bem menos imune a Cultura, Geografia e História do que ingénua e convenientemente gostamos de acreditar.’

JÚLIO MACHADO VAZ (Porto, 16 de Outubro de 1949) é médico psiquiatra e sexólogo. Doutorou-se em Psicologia Médica e é professor auxiliar do Departamento de Ciências do Comportamento do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, onde é regente da cadeira de Antropologia Médica, e ainda professor do Mestrado de Sexologia da Universidade Lusófona. É vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica. Participou em diversos programas de rádio e televisão, mantendo-se actualmente na Antena 1 (RDP) com O Amor É…, com a jornalista Inês Menezes.

 

CRÉDITOS para Estagiários da Ordem dos Arquitectos:

1 crédito por cada dia de conferências
 

BILHETES (bilhete único para os 2 dias):

5€_associados da CASA
1 bilhete por associado individual, 2 bilhetes para associados empresa ou entidade colectiva

10€_não associados

 

AQUISIÇÃO DE BILHETES:

Opção 1 (Reserva de Bilhetes e pagamento por transferência bancária)

– Até ao dia 01 de JUNHO

– Reserva de bilhetes para o e-mail info@casadaarquitectura.pt ou através do formulário que se segue.

– Pagamento por transferência bancária

– Levantamento do bilhete no dia 02 de Junho, na FAUP, após as 16h00

[contact-form 6 "Formulário Bilhetes"]

 

Opção 2 (Compra e recepção imediata de bilhetes)

– Dias 28, 31 de Maio, 1 de Junho, na CASA DA ARQUITECTURA, das 9h30 às 12h30 e das 14h30 às 18h30

– Dia 26 de Maio, na FAUP, após as 16h00 (mediante disponibilidade de bilhetes)

 

 Para mais informações: info@casadaarquitectura.pt ou +351 22 240 46 63