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EXPOSIÇÃO “A CASA DA DEMOCRACIA: ENTRE ESPAÇO E PODER” PATENTE ATÉ 15 DE ABRIL

A exposição “A Casa da Democracia: entre Espaço e Poder”, sobre a forma como se cruzam a transformação arquitetónica do Palácio de São Bento e a evolução política de Portugal, está patente na galeria da Casa da Arquitectura – Centro Português de Arquitectura até ao dia 15 de abril.

Esta mostra corresponde a um primeiro momento, de outros que se seguirão, resultante do protocolo celebrado entre a CA e a Assembleia da República (AR) para o “Tratamento arquivístico dos projetos dos edifícios a Assembleia da República”.

“A Casa da Democracia: entre Espaço e Poder”, com curadoria de Susana Ventura, pretende dar a conhecer a um público mais vasto os vários espaços que compõem o conjunto edificado da AR e também estabelecer um pensamento crítico sobre as relações entre espaço e poder (ainda no seguimento da exposição inaugural da CA Poder Arquitectura) fundamentais para a disciplina da Arquitetura.

A atual Assembleia da República, assento do Parlamento Português, foi cenário e palco de importantes movimentos sociais e regimes políticos que determinaram o nosso destino histórico: a Revolução Liberal de 1820, que dois anos depois deu origem à primeira Constituição Portuguesa; a abolição da Monarquia e consequente implantação da República em 1910; a ditadura do Estado Novo e o seu fim, após a Revolução de 25 de abril de 1974, com a desejada restauração da Democracia.

A história que o edifício acumula é igualmente inseparável da história da arquitetura portuguesa, remontando ao final do século XVI, aquando da fundação do Mosteiro de São Bento da Saúde, desenhado pelo Arquiteto Balthazar Álvares e considerado um dos mais relevantes exemplos do estilo chão devido à sua monumentalidade e marca territorial, o que terá, certamente, potenciado a sua posterior adaptação a Palácio das Cortes.

As histórias entrecruzam-se ao longo dos séculos, estimulando uma compreensão que não deve ater-se à sucessão dos acontecimentos para procurar pensar o próprio sentido do que é o espaço político no nosso presente. O sistema político condicionou, por diversas vezes, a arquitetura do edifício (incluindo a coreografia dos corpos e a iconografia) e do pedaço de cidade onde se insere, enquanto a arquitetura, por sua vez, contribuiu para a criação e afirmação de um centro de poder ou da cidade enquanto espaço de liberdade.

A peça que ocupa o espaço central da galeria, desenhada por Luísa Bebiano, é um espaço elíptico. Num dos lados, apresentam-se algumas das hipóteses sobre a relação entre espaço e poder, cruzando as linhas temporais em elipses virtuais, e, no outro lado, expõem-se as fotografias de Paulo Catrica dos vários espaços da Assembleia da República que muitas vezes permanecem ocultos, revelando-nos, simultaneamente, o edifício institucional e o espaço comum de trabalho e debate.