Exposição de Alberto Collet “Cidade dos Mortos”, inauguração a 28 de junho, às 21h30, na CASA DA ARQUITECTURA

 

Teve lugar, no dia 28 de junho, na CASA DA ARQUITECTURA,  a inauguração da exposição “cidade dos mortos – o cemitério que se transforma em cidade”

A inauguração contou com uma breve apresentação da exposição pelo autor Alberto Collet.

Exposição patente na CASA DA ARQUITECTURA até 25 de agosto.
De terça a sábado, das 10h00 às 12h30 e das 14h30 às 19h00.

ENTRADA LIVRE

 

CONTEXTO DA EXPOSIÇÃO

"No passado mês de março fui selecionado, em conjunto com um grupo de arquitetos e agrónomos, pela ONG italiana LIVEINSLUMS para participar num projeto de cooperação sobre a construção de “Microjardins” dentro da cidade dos mortos na cidade do Cairo.
Sabia muito pouco sobre a cidade e o cemitério; tinha lido que o lugar era muito perigoso e que a presença de estrangeiros, sobretudo europeus, não seria aconselhada, principalmente no momento político de transição que o Egito está a viver.

O trabalho foi o de projetar e dispor dentro das casas tumulares “Hosh” sistemas de hortas urbanas para as famílias, para impulsionar o comércio e a alimentação diária das famílias muito pobres.
O projeto pareceu-me muito atraente e iniciei-o pensando documentar, através de imagens, este lugar tão mágico quanto surreal.

Decidi assim entrar em lugares “proibidos” com a minha câmara e documentar as sensações e as atmosferas que via no seu interior. Para entenderem o lugar vou explicar o que é este cemitério e depois as sensações que experimentei.

A Cidade dos Mortos, cemitério monumental do Cairo, é atualmente habitada por 800.000 pessoas, que ocuparam os panteões funerários anexos às sepulturas dos defuntos, fazendo assim casas permanentes.
Desde o século XIV que existem casas tumulares usadas por pessoas com necessidades habitacionais.
Com a explosão demográfica e a quebra das políticas de habitação social, uma multidão de pobres urbanos e massas rurais ocuparam de forma ilegal o cemitério e as pequenas habitações construídas no início para albergar os peregrinos, os guardas dos mausoléus e as famílias dos defuntos, às sextas-feiras. Este lugar está classificado em 19º lugar na lista dos bairros pobres maiores do mundo (quatro estão no Cairo); é diferente em relação às características típicas dos bairros pobres, devido ao particular fenómeno de coabitação entre vivos e mortos, além do grande interesse histórico arquitetónico do lugar, que lhe conferem o estatuto de caso único no mundo.

Não há barracas, os núcleos habitacionais não são densos de população e a estrutura do cemitério é ordenada e reconhecível.
A aridez do clima e o terreno sem humidade deram origem a lugares salubres, ao contrário de outros cemitérios. Viver num túmulo ainda representa um tabu para o resto da cidade cairota que olha para o cemitério como a externa margem degradada da cidade. Muitas áreas estão compostas por escombros de demolições, deixando espaço a novas áreas de especulação imobiliária. O lugar foi estigmatizado pelas autoridades como lugar perigoso e com um alto nível de criminalidade; por este motivo é inacessível a turistas e estudiosos.

A Visão 2050 (Plano estratégico do Cairo) prevê a demolição de quase toda a área e a recolocação da comunidade residente.
A maior parte dos cidadãos da Cidade dos Mortos tem trabalhos precários em fábricas do Cairo, atividades informais e salários muito baixos."  (texto de Alberto Collet).


BIOGRAFIA ALBERTO COLLET

Alberto Collet  Nascido em 1981, é arquiteto e fotógrafo.

Estudou na IUAV, em Veneza, e na ETSAB, em Barcelona, licenciando-se cum laude em 2008.

Realizou um curso de pós-graduação em Design Urbano na Accademia per le Arti e le Scienze Digitali de Siena, Itália. Foi selecionado para fazer um MA em Gestão Urbana e Design de Arquitetura na Domus Academy de Milão, Itália, e na University of Wales, Reino Unido. MA em Teoria e Prática do Projeto de Arquitetura na UPC Universitat Pólitecnica da Catalunha, Barcelona. Diploma IDEP em fotografia, Instituto de La Imatge de Barcelona.

Trabalhou em várias universidades como coordenador, tutor, curador de exposições: no IUAV de Veneza, no Centro Italiano de Arquitetura de Milão, na Universitá La Sapienza de Roma, na ETSAB e ELISAVA de Barcelona, e na ETSAS de Sevilha.
Trabalhou em diversos gabinetes de arquitetura, entre os quais no CZA Cino Zucchi Architetti de Milão e no EMBT Enric Miralles Benedetta Tagliabue de Barcelona.

Em 2009 foi responsável pelo seminário “Caminar la Ciutat” realizado na ETSAB com a Faculdade de Arquitetura Valle Giulia de Roma e a Universidade Técnica de Lisboa. Tutor de projeto com os gabinetes Flores & Prats Arquitectos, Barcelona, KLM Arquitectos e Bak Arquitetos de Buenos Aires, na IUAV de Veneza, e com Gabriel Bascones e Esther Mayoral Arquitectos na ETSAS.

Participou em numerosos concursos de arquitetura e fotografia, recebendo prémios e reconhecimento, incluindo: 2003 “La provincia di Milano e il suo territorio”, Milão, projeto mencionado; 2006 “In Urbana”, projeto mencionado; 2006 “Piazza San Marco, piazza San Parco”, Veneza, primeiro prémio e publicação; 2006 “Premio Ugo Betti”, Roma, primeiro prémio; 2010 “Memoria y Paisaje”, Buenos Aires, projeto mencionado.

Participou em várias exposições coletivas, principalmente em Itália e em Espanha. Em 2010 organizou uma exposição individual “Frammenti di Cittá” na “Galleria dell’Artistico”, Treviso, Itália. Em 2011 foi curador da exposição de fotografia “Architetture finlandesi”, fotografias de Marc Goodwin em colaboração com a Aalto University de Helsínquia e no Salão de Gino Valle na IUAV de Veneza.

Foi selecionado para coordenar um seminário relacionado com a imigração europeia em arquitetura na região sul do Brasil pela Universidade de Caxia do Sul.

Desde 2011 é cofundador do escritório Bauart de arquitetura e engenharia com sede em Espanha e na Colômbia.

Vive e trabalha em Barcelona.