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“RADAR VENEZA – ARQUITETOS PORTUGUESES NA BIENAL 1975-2021” PROLONGADA ATÉ 30 DE JANEIRO DE 2022

A exposição “Radar Veneza – Arquitetos Portugueses na Bienal 1975-2021″, com curadoria de Joaquim Moreno e Alexandra Areia, foi prolongada até 30 de janeiro de 2022.

 

A mostra propõe uma viagem reflexiva sobre a participação portuguesa ao longo dos 46 anos representação nacional em Veneza, desde 1975 até aos nossos dias.

 

Recorde-se que a Direção-Geral das Artes (DGArtes) depositou na CA o acervo das representações portuguesas na Bienal de Arquitetura de Veneza e é sobre esse material que a exposição é trabalhada, reunindo projetos de alguns dos nomes mais considerados na arquitetura portuguesa.

 

A exposição “Radar Veneza” contará com um programa paralelo no âmbito do qual será também lançado o catálogo homónimo, com ensaios de Joaquim Moreno, Alexandra Areia e Léa-Catherine Szacka (arquiteta, crítica e especialista na Bienal de Veneza).

 

Trata-se de um volume de 336 páginas com 32 entrevistas transcritas aos protagonistas das participações portuguesas na Bienal entre 1975 e 2021, 24 desenhos dos 24 objetos/grandes modelos apresentados na exposição e uma linha temporal – espaço para uma visão panorâmica das transformações, capaz de comunicar ideias e contextos gerais de cada Bienal e as circunstâncias específicas de cada representação nacional.

 

O catálogo “Radar Veneza – Arquitetos Portugueses na Bienal 1975-2021″ é coeditado e produzido pela Casa da Arquitectura e coeditado pela Direção-Geral das Artes.

 

Portugal em Veneza, Veneza em Portugal
A exposição “Radar Veneza – Arquitetos portugueses na Bienal 1975-2021” resulta da parceria entre o Estado português e a Casa da Arquitectura enquanto Centro Português de Arquitectura. Concretiza-se em torno do depósito no Arquivo da Casa do acervo das representações nacionais desde a sua estreia em Veneza até aos dias de hoje, avançando para o futuro. A Casa da Arquitectura vai continuar a ser o destino dos futuros acervos resultantes da presença portuguesa naquele que é o maior festival contemporâneo de cultura do mundo.

 

“Radar Veneza” propõe, através da mostra e do catálogo, uma análise crítica das muitas formas como o Portugal democrático expôs e se expôs lá fora. Procuramos ver-nos pelos olhos dos outros através dos convites que a Bienal foi fazendo a arquitetos, gabinetes e artistas, sem perder de vista a análise e a reflexão que o conjunto das representações oficiais, pela primeira vez reunidas num só espaço, permite e convida a fazer.

 

A multiplicidade de leituras possíveis esteve na base do desafio lançado pela Casa da Arquitectura aos curadores Joaquim Moreno e Alexandra Areia, a quem coube organizar este voo de longo curso sobre décadas de presença portuguesa em Veneza e desenhar o retrato dos protagonistas dessas representações.

 

À radiografia da presença oficial junta-se o olhar reflexivo sobre os conteúdos das propostas e as soluções encontradas para a sua apresentação no espaço de Portugal em Veneza, que, em várias ocasiões, nem sequer existia formalmente.

 

Não é possível ignorar a forma criativa e no geral bem-sucedida como Portugal se apresentou na Bienal, muitas vezes com orçamentos limitados e sem uma ‘casa’ física, afirmando-se a cada edição através das propostas dos arquitetos nacionais.  A exposição permite também abarcar a leitura dupla que oferecem as representações portuguesas e as propostas resultantes dos convites endereçados pela curadoria da Bienal.

 

“Radar Veneza” só é possível graças ao trabalho da Direção-geral das Artes, a quem agradecemos na pessoa do seu Diretor, Américo Rodrigues e do Ministério da Cultura na pessoa da Srª Ministra, Graça Fonseca. É da combinação destas vontades que surge a possibilidade de os portugueses poderem finalmente conhecer, visitar ou revisitar décadas de representação do seu país naquele que é um dos eventos culturais mais prestigiados do mundo.

 

Pelo nosso lado, Casa da Arquitectura – Centro Português de Arquitectura, asseguramos o continuado trabalho de conservação, manutenção e disponibilização pública deste acervo, garantindo a atualização permanente do olhar da arquitetura portuguesa sobre o mundo e do mundo sobre a arquitetura portuguesa.

 

“Radar Veneza” vem acompanhado de um programa paralelo de atividades, debates e visitas de especialistas que compõe este triângulo de mostra e catálogo e que vai permitir lançar pistas sobre o modo como o Portugal futuro se quer apresentar naquela que é a área de conhecimento que maior distinção lhe traz – a arquitetura.

José Manuel Dias da Fonseca

Nuno Sampaio

Presidente e Diretor Executivo Casa da Arquitectura

 

 

“Radar Veneza – Arquitetos Portugueses na Bienal 1975-2021″ surge no âmbito de um protocolo de cooperação entre a Direção Geral das Artes (DGArtes) e a Casa da Arquitectura, que estabeleceu as linhas orientadoras de uma intensa colaboração entre o organismo do Estado (que tem como missão principal o “apoio às artes”, nomeadamente ao trabalho criativo dos arquitetos) e um centro de criação e programação especializado, que se tem notabilizado no plano nacional e internacional.

 

O passo inicial deu-se com o depósito na Casa de Arquitectura de toda a documentação à guarda da DGArtes relativa à representação oficial portuguesa na Bienal de Veneza — Arquitetura. A DGArtes comprometeu-se a transferir todo o acervo documental referente ao passado, mas também aquele que venha a ser produzido no contexto das novas participações.

 

A DGArtes (e os organismos que a antecederam) tem vindo a comissariar a representação do país nas Bienais de Veneza. Ao longo das várias edições, optou-se por métodos e processos diversificados na escolha dos curadores e/ou dos representantes. Essas opções tiveram reflexos desiguais na tentativa de constituição de um “arquivo”. Apesar de alguma inconstância associada aos procedimentos na forma de escolher o “nosso representante”, que dificultaram a reunião da informação, a DGArtes conseguiu juntar documentos e objetos importantes, que, per si, constituem uma base para a abordagem ao conceito de “Pavilhão de Portugal”, frequentemente entendido como uma espécie de território simbólico do nosso país em Veneza.

 

A transferência daquele conjunto de elementos para a Casa da Arquitectura possibilitou, de imediato, a sua salvaguarda e preservação. O cumprimento deste objetivo já justificaria tão importante decisão. Porém, o alcance da opção é maior e mais ambicioso, pois o que desejamos todos é que aquele “arquivo” seja também estudado e divulgado. Acrescente-se também que seria muito motivador que o “arquivo” seja objeto de análise crítica, contribuindo assim para o aperfeiçoamento da forma como se concretizarão as futuras presenças em Veneza.

 

A realização de “Radar Veneza – Arquitetos Portugueses na Bienal 1975-2021″ corresponde a uma nova fase da relação entre a DGArtes e a Casa da Arquitectura. Pretende dar visibilidade aos elementos do “arquivo”, incluindo-os num projeto expositivo que, tendo por base uma investigação exigente, visa refletir sobre a forma e o contexto da participação de arquitetos portugueses naquela que é uma das mais importantes iniciativas artísticas mundiais.

 

“Radar Veneza – Arquitetos Portugueses na Bienal 1975-2021″ revela os objetos, iluminando-os através de um notável trabalho curatorial que, como lhe compete, discute o próprio conceito de “representação” nacional e/ou oficial. A documentação relativa a cada edição cruza-se também com informações de carácter político-social, ao mesmo tempo que se valoriza a memória oral associada à construção da nossa participação. Mesmo as histórias aparentemente laterais são elementos que nos ajudam a entender melhor o contexto da nossa inscrição significativa nas várias edições da Bienal de Veneza.

 

Esta exposição dá também um grande contributo para a definição de uma cronologia, que estava por fazer, da participação, oficial ou não, da arquitetura portuguesa na Bienal de Veneza. Ao mesmo tempo que se estabelece uma história da nossa representação ou da nossa participação, valoriza-se a qualidade e diversidade da obra dos arquitetos portugueses, que, com todo o mérito, são reconhecidas em todo o mundo. De certa maneira, esta exposição é também uma homenagem à força e ao talento criativos dos arquitetos portugueses.

 

“Radar Veneza – Arquitetos Portugueses na Bienal 1975-2021″, uma exposição programada há muitos meses, surge num tempo de uma pandemia que alterará profundamente os nossos hábitos e a forma como nos relacionamos, nomeadamente com o espaço. Tal verificação obrigará à redefinição do papel dos arquitetos e da arquitetura. Será um desafio para todos olhar para esta exposição como objeto de estudo que possa responder, numa primeira fase, a esta pergunta: quais vão ser os novos caminhos da arquitetura?

 

Por fim, deixo um agradecimento aos curadores Joaquim Moreno e Alexandra Areia, pela qualidade do projeto de investigação e pela curadoria, e a toda a equipa da Casa da Arquitectura, na pessoa de Nuno Sampaio, pelo valioso trabalho realizado nesta e noutras exposições.

Américo Rodrigues, Diretor Geral
Direção Geral das Artes

 

 

Texto curatorial

Radar Veneza – Arquitetos Portugueses na Bienal 1975-2021

O radar é uma arma invisível que torna as coisas visíveis porque converte objectos ou inimigos que não querem ser vistos ou sequer medidos em transmissores involuntários e compulsivos.

Friedrich Kittler (1999).

 

Radar Veneza
O radar obriga os objetos que estavam invisíveis a transmitir a sua posição. Capta em eco as posições relativas de atores que talvez preferissem permanecer em silêncio. Esta imagem tão nítida de uma máquina de tornar visível todo um campo de batalha é um eco da reflexão de Paul Virilio sobre Guerra e Cinema (1983). Segundo ele, a conversão do sinal de radar em imagem de radar desdobra a perspetiva do guerreiro em duas imagens sobrepostas do campo de batalha: a ocular e a eletrónica: a visão da proximidade e a visão para lá do visível, a tele-visão. Dizer “Radar Veneza” é deslocar esta maneira de imaginar, de tornar imagem, para outro campo e para outras batalhas e também a possibilidade de escutar outros ecos. Acrescentar uma janela temporal 1975-2021, é a oportunidade de sobrepor ao ciclo alargado da presença autónoma da arquitetura na Bienal de Veneza a representação cultural da arquitetura de um Portugal democrático. A difícil contradição deste mecanismo é a sua dificuldade de memorização, porque cada novo eco, por mais longínquo que seja, apaga o anterior; porque os combates importantes são sempre os do presente e as urgências do agora estão continuamente a ser atualizadas, ou, em linguagem de imagens eletrónicas, refrescadas. Dizer “Radar Veneza 1975-2021” permite imaginar e investigar novas perspetivas e reflexos desconhecidos, produzir imagens-memória destes campos de reverberações e colocá-las lado a lado numa acumulação de presentes sucessivos, num bairro Veneza que encena uma paisagem através de todos estes presentes.

 

Os Arquitetos Portugueses e a Bienal
Como o ciclo histórico da democracia portuguesa que observa, também este mecanismo promove a transparência das posições e dos vetores de movimento dos arquitetos portugueses, registando-os de forma autónoma através dos seus ecos involuntários. A tele-visão para lá do horizonte português deste radar, o contra-campo do olhar da Bienal para os arquitetos portugueses, complementa o campo das representações nacionais que constitui o núcleo documental original que a DGArtes depositou na Casa da Arquitectura. Constrói-se assim um duplo eco: por um lado o eco das transformações da Bienal de Veneza e da atenção que está dá aos arquitetos portugueses e por outros o eco dos mecanismos de representação que Portugal ativa para se fazer representar, que começaram para uns em 2002 e para outros em 2004, e de toda a complexa narrativa do que aconteceu antes e ao redor destas representações.

 

A investigação organiza-se em três planos: a cronologia — o registo de todas as cintilações do radar —, a história oral — o dar a palavra aos protagonistas dos eventos — e o bairro Veneza — campo de desenhos levantados das arquiteturas que se sucederam em Veneza. A cronologia colaborativa é o horizonte de todo o trabalho, o registo estruturante e aberto de uma história que começa a ser significante e pode informar os desafios do incerto futuro que imaginamos a partir deste presente confuso. O gesto da escuta, a atenção às vozes que testemunharam e protagonizaram esta história e as surpresas que surgem do diálogo e da rememoração, acumulam-se na história oral entretanto depositada na Casa da Arquitectura e da qual se dá apenas uma amostra editada. Para memória futura, as representações portuguesas e as instalações que os arquitetos portugueses foram convidados a construir na Bienal foram levantadas e desenhadas à mesma escala, num sistema de planos rebatidos que permite levantar e armar as suas superfícies e as suas formas. Desenhos levantados que articulam as perspetivas e as vizinhanças que o tempo proibiu e que depois se planificam outra vez para morar todos juntos no arquivo de todos estes presentes.

Joaquim Moreno e Alexandra Areia

 

 

Biografias

Joaquim Moreno (Luanda, 1973) é licenciado em Arquitetura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (1998); Mestrado (pré-Bolonha) em Arquitetura e Cultura Urbana, Escola Técnica Superior de Arquitetura de Barcelona, Universidade Politécnica da Catalunha (2001); Doutoramento em Arquitetura, Escola de Arquitetura, Universidade de Princeton (2011). Curador independente desde 2002, num trabalho continuado que inclui a exposição “Desenho Projecto de Desenho” (2002), em co-curadoria com Alberto Carneiro, dedicada ao desenho de arquitetura no século XX Português, a representação portuguesa à Bienal de Arquitetura de Veneza em 2008, com o filosofo José Gil, a exposição “Guido Guidi/ Carlo Scarpa: Tomba Brion” no Centro Cultural de Belém (Lisboa, 2014-15) com Paula Pinto e ainda a exposição “The University is Now on Air”, no Centro Canadiano de Arquitetura em Montreal, dedicada ao ensino da Arquitetura Moderna através da Rádio e da Televisão que a Universidade Aberta Inglesa propunha nos anos 70.
É Professor Auxiliar da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto.

 

Alexandra Areia, arquiteta, investigadora integrada do DINÂMIA-CET, ISCTE-IUL, atualmente a trabalhar no projeto de investigação Middle Class Mass Housing (MCMH). Doutorada pelo ISCTE-IUL em 2019, com uma tese sobre a comunicação da arquitetura através de suportes fílmicos (analisando o caso específico de Manuel Graça Dias e o seu programa de televisão da RTP nos anos 1990); Mestre pelo programa Metropolis da Universitat Politècnica de Catalunya (UPC) e Centre de Cultura Contemporània de Barcelona (CCCB) em 2007; Estudou na École Nationale Superieure d’Architecture Paris Val-de-Seine (ENSAPVS) em 2002-03; Licenciada em arquitetura pela Universidade do Minho (UM) em 2004. Membro do coletivo Friendly Fire desde 2010, Programadora do Arquiteturas Film Festival em 2014-16, Redatora no Jornal Arquitectos (J-A) em 2016-18. Em 2019, escreveu para Porto Brutalista (Circo de Ideias) e coeditou Um Mapa de Lisboa no Cinema (Dafne Editora e Arquivo Municipal de Lisboa – Videoteca).

 

 

HORÁRIOS E BILHETEIRA

HORÁRIO VERÃO*

1 ABRIL – 30 SETEMBRO

Terça a Sexta

10H00 – 18H00

Sábado, Domingo e Feriados

10H00 – 19H00

*Pontualmente poderá ser praticado um horário diferente, devido à realização de eventos específicos ou por motivos funcionais. 

 

HORÁRIO INVERNO*

1 OUTUBRO – 31 MARÇO

Terça a Sexta

10H00 – 17H00

Sábado, Domingo e Feriados

10H00 – 18H00

*Pontualmente poderá ser praticado um horário diferente, devido à realização de eventos específicos ou por motivos funcionais.

 

 

TARIFÁRIO BILHETEIRA

ENTRADA / ADMISSION

Exposição Principal | 8€

Galeria da Casa | 4€

 

ENTRADA GRATUITA*

Até 12 anos

Amigos e Associados da CA* c/quota ativa

Domingo de manhã (10h00-13h00)

*Ofertas válidas mediante a apresentação de um documento de identificação

 

50% DESCONTO*

Estudantes

Séniores (65 anos e mais)

*Ofertas válidas mediante a apresentação de um documento de identificação ou cartão de estudante

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