EXPOSIÇÕES

 

“Infinito Vão – 90 Anos de Arquitetura Brasileira” é o nome, inspirado na música e na voz de Gilberto Gil, da exposição que a Casa da Arquitectura (CA) – Centro Português de Arquitectura inaugurou no dia 28 de setembro, com curadoria de Fernando Serapião e Guilherme Wisnik.

 

“Infinito Vão” é o resultado de um processo de dois anos de trabalho que a Casa da Arquitectura levou a cabo no Brasil, reunindo um património com mais de 200 doações que vai integrar o acervo permanente da Casa.

 

A Coleção Arquitetura Brasileira, a mais representativa realizada nos últimos anos, é constituída por 103 projetos e mais de 50 mil elementos entre desenhos, fotografias, documentos textuais, filmes, maquetes, cerâmicas, entre outros.

 

A coleção materializa dois objetivos fulcrais: fomentar estudos de especialistas no tema, podendo ter o seu acervo consultado por pesquisadores; e compor futuras exposições do acervo da Casa da Arquitectura, somando-se à galeria de autores ‘residentes’ como Eduardo Souto de Moura, Paulo Mendes da Rocha, Álvaro Siza Vieira, Pedro Ramalho e João Álvaro Rocha, entre outros.

 

Os autores brasileiros

 

“Infinito Vão – 90 anos Anos de Arquitetura Brasileira” congrega 90 projetos de autores fundamentais para a compreensão da produção brasileira, sendo metade referentes ao período moderno e as restantes ao período contemporâneo. Além dos desenhos e maquetes, a coleção possui cerca de 150 livros essenciais sobre o tema, que serão incorporados à biblioteca da Casa da Arquitectura.

 

Os projetos que voaram para Portugal resultam de contratos de doação assinados pelos arquitetos e seus herdeiros. A seleção esteve a cargo dos dois curadores brasileiros, Fernando Serapião e Guilherme Wisnik, que procuraram abranger diferentes gerações de arquitetos brasileiros.

 

Entre os autores selecionados destacam-se Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, MMM Roberto, Sergio Bernardes, Roberto Burle Marx, Vilanova Artigas, Lina Bo Bardi, Rino Levi, Severiano Mario Porto, João Filgueiras Lima (o Lelé) e Paulo Mendes da Rocha, entre muitos outros. A maior parte dos desenhos originais destes autores estão no acervo de coleções públicas e privadas (faculdades, fundações e instituições brasileiras), com quem os curadores, em nome da Casa da Arquitectura, realizaram um acordo a fim de acomodar em Matosinhos, Portugal, um acervo de cópias autenticadas e autorizadas de projetos selecionados. A maior parte da coleção é dedicada à fase contemporânea, que compreende o período dos anos de 1980 até os dias atuais. Esta porção da coleção é constituída por criações de profissionais de gerações mais jovens e em plena atividade, como Marcos Acayaba, Brasil Arquitetura, Angelo Bucci, Andrade Morettin e Carla Juaçaba, entre outros.

 

Para que haja compreensão do enquadramento da época da produção arquitetónica brasileira, os curadores selecionaram um conjunto de livros que integrarão uma biblioteca básica sobre arquitetura brasileira, composta por obras em catálogo e diversos volumes de autores e editoras desaparecidos. Parte da grande missão da equipe curatorial foi buscar os volumes em estabelecimentos que comercializam títulos raros.

 

Infinito Vão na Casa da Arquitectura

 

Cumprindo a sua missão, a Casa da Arquitectura pretende dar a conhecer este acervo ao grande público através desta grande exposição nos 900 m2 da Nave Expositiva, incluindo o lançamento de um catálogo e um ambicioso programa de atividades durante 7 meses, entre Portugal e o Brasil, mostrando a excelência da arquitetura e cultura brasileiras para além dos limites da disciplina. O programa viaja pela arquitetura, cinema, literatura e música.

 

 

Abrindo as suas portas em simultâneo com a Exposição Infinito Vão, “Duas Casas” de Paulo Mendes da Rocha vai estar patente até 10 de fevereiro de 2019 na Galeria da Casa.

 

Com curadoria de Nuno Sampaio, “Duas Casas de Paulo Mendes da Rocha” oferece a possibilidade de visitar dois projetos singulares no acervo do arquiteto Paulo Mendes que, na lógica transatlântica desta programação, se situam em Portugal e no Brasil.

 

As duas casas unifamiliares – a Casa Gerassi em São Paulo e a Casa da Rua do Quelhas, em Lisboa desenhada em coautoria com Inês Lobo – apresentam-se ao público a partir de três abordagens visuais: as maquetes de cada uma, mandadas fazer expressamente para a mostra; as fotos de Leonardo Finotti e o registo audiovisual quer da construção das habitações, quer dos seus interiores.

 

Desenhadas e construídas com 30 anos de intervalo entre si, as “Duas Casas” de Paulo Mendes da Rocha são um convite a visitar o círculo habitualmente reservado das habitações familiares e a conhecer o modo como o arquiteto brasileiro “valoriza o encontro, a partilha e a socialização da família”, conforme escreve o curador Nuno Sampaio.