PROTOCOLO COM A ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA VAI RESULTAR EM EXPOSIÇÃO

Uma exposição sobre a forma como se cruzam a evolução arquitetónica do Palácio de São Bento e a evolução política de Portugal vai estar patente na Casa da Arquitectura – Centro Português de Arquitectura (CA), em Matosinhos, já a partir de 17 de Fevereiro.

 

Este será o primeiro resultado visível do Protocolo hoje assinado entre o Parlamento e a CA, que visa o “Tratamento arquivístico dos projetos dos edifícios da Assembleia da República”. Este tratamento vai implicar cerca de um ano de trabalho, materializando-se posteriormente numa grande exposição na AR, no âmbito da programação para o bicentenário do constitucionalismo, em 2019.

 

Nuno Sampaio, Diretor-Executivo da Casa da Arquitectura, anunciou que antes desse momento a CA avança a 17 de fevereiro com “uma exposição prévia intitulada ‘A Casa da Democracia: entre Espaço e Poder’, com curadoria de Susana Ventura, que pretende, por um lado, dar a conhecer a um público mais vasto os vários espaços que compõem o conjunto edificado da Assembleia da República, e, por outro lado, estabelecer um pensamento crítico sobre as relações entre espaço e poder”.

 

 

Lembrando que a Casa da Arquitectura tem patente a exposição inaugural Poder Arquitectura, Nuno Sampaio adiantou que, paralelamente à mostra que será dada a conhecer durante o próximo mês, a instituição vai organizar um programa de atividades e debates sobre esta relação entre arquitetura e Poder Legislativo.  Também poderão ser incluídos elementos arquivísticos de outras entidades que ajudem a testemunhar a várias facetas da História.

 

O Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, ressalvou que a história do edifício “confunde-se com a história de Portugal e dos seus diferentes regimes políticos”, lembrando ainda a “missão de serviço público essencial” desempenhada pela Casa da Arquitectura: “Porque procura retirar a arquitetura da sua torre de marfim, colocando-a em
diálogo com a sociedade, que é, no fundo, o fim último da arquitetura e do urbanismo.”

 

Também a autarca de Matosinhos, Luísa Salgueiro, frisou que a CA é “o equipamento que vai guardar para as próximas gerações o arquivo da arquitetura nacional”, um legado que é, também ele, parte da construção democrática. Este Protocolo, considera a presidente de Câmara, “está também a construir democracia”.

 

“A Assembleia da República simboliza o Poder Legislativo, a democracia, mas também já representou vários regimes em diferentes alturas e isso também teve impacto no edifício”, afirmou o presidente da Casa da Arquitectura. Segundo José Manuel Dias da Fonseca, a exposição será “uma forma de partilhá-lo de forma sistemática, muito eficiente, para o país e à escala global”, permitindo que a população, “principalmente a que não vive tão perto do Palácio de São Bento, tenha acesso a este património que é muito simbólico”.

 

Os elementos de arquitetura relativos aos edifícios da Assembleia da República em causa no Protocolo hoje assinado dizem respeito a várias fases desses imóveis, nomeadamente, a adaptação do Mosteiro de São Bento da Saúde a Parlamento; a reconstrução / Projeto do Arquiteto Ventura Terra; as intervenções produzidas durante o Estado Novo e a construção do novo edifício / Projeto dos Arquitetos Fernando Távora e Bernardo Távora. Esses elementos consistem, entre outros, em projetos de arquitetura e de construção dos edifícios, incluindo memórias descritivas, telas, projetos de execução, maquetes, peças do concurso relativo ao novo edifício, processos administrativos, fotografias ou cartas.