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ACERVO DE PAULO MENDES DA ROCHA NA CASA DA ARQUITECTURA

O acervo do arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, Prémio Pritzker 2006, foi incorporado na Casa da Arquitectura – Centro Português de Arquitectura.

 

A vinda da totalidade do acervo de Paulo Mendes da Rocha segue-se à doação, em 2015 do projeto do Museu Nacional dos Coches e, em 2018, de um conjunto de sete projetos para a Coleção Arquitetura Brasileira.

 

O acervo de Paulo Mendes da Rocha que agora chega à Casa da Arquitectura, engloba todo o material produzido durante a sua longa vida profissional, desde a década de 50 do século passado até aos nossos dias.

 

Esta incorporação engloba cerca de 8800 itens, relativos a mais de 320 projetos e é composta por:

aprox. 6300 desenhos analógicos
aprox. 3 mil fotografias e slides
um conjunto de maquetes feitas pelo próprio
aprox. 300 publicações.

 

Para o Diretor-executivo da Casa da Arquitectura, Nuno Sampaio, a vinda deste acervo é motivo “de grande satisfação, pela disponibilidade do Paulo Mendes da Rocha em aceder ao nosso desafio para incorporar na CA a totalidade do seu acervo, completando as duas doações anteriores”. E acrescenta: “A Casa da Arquitectura tem como compromisso a manutenção da unicidade do acervo, apresentação ao mundo através das suas plataformas digitais e a partilha e disponibilização a investigadores, estudantes, universidades a custo zero, promovendo o estudo, a publicação e investigação sobre esta tão importante obra”.

 

A Ministra da Cultura, Graça Fonseca, afirmou, a propósito, que “é com muito orgulho que acolhemos em Portugal o acervo integral do prestigiado arquiteto brasileiro, Paulo Mendes da Rocha, autor da obra do Museu Nacional dos Coches, em Lisboa.

É com confiança na instituição Casa da Arquitectura – Centro Português de Arquitectura e no trabalho desenvolvido por esta no tratamento, conservação e divulgação pública dos diferentes acervos que tem vindo a acolher, que dou as boas vindas a este tão importante acervo para a história e conhecimento da arquitetura contemporânea a nível mundial.”

 

A Casa da Arquitectura, recorde-se, recebeu já no ano passado o apoio do Governo português às atividades desenvolvidas, através do Ministério da Cultura.

 

José Manuel Dias da Fonseca, presidente da CA, vê na “doação do arquivo do Paulo Mendes da Rocha à Casa da Arquitetura  um momento grande para Portugal. Exemplar.

Um dos maiores arquitetos do mundo reconheceu no nosso país e na CASA o abrigo certo para todo o seu arquivo, através desta doação. Exemplar.

É seguramente um dos momentos mais felizes na ainda curta vida da Casa da Arquitetura, que apesar de curta já reúne valiosos espólios e acervos de arquitetura. Exemplar.”

 

Acervo disponível online

 

A Casa da Arquitectura irá realizar uma Exposição monográfica dedicada ao arquiteto em meados de 2022, de cuja equipa curatorial fará parte a arquiteta Catherine Otondo, que esteve envolvida no processo de inventariação do acervo juntamente com a arquiteta Berta Oliveira. Para o Diretor-executivo, esta será a “maior exposição sobre a obra de Paulo Mendes da Rocha a realizar em Portugal na Casa da Arquitectura”.

O acervo vai integrar a Plataforma Digital do Arquivo da Casa que será lançada ainda durante o corrente ano e que vai permitir o acesso universal a todos os documentos. Para efeitos de investigação e estudo, a Casa disponibiliza ainda imagens  de grande resolução de forma gratuita, promovendo deste modo a pesquisa e o desenvolvimento do conhecimento sobre a obra do arquiteto brasileiro.

 

A Casa da Arquitectura criou em 2019 um Centro de Estudos e Documentação que vai promover e incentivar a investigação do acervo, nomeadamente com a criação de bolsas de investigação em parceria com várias instituições públicas, assim como, de forma privilegiada, com Universidades de todo o mundo.

 

A Casa da Arquitectura fica responsável pela preservação do acervo nas melhores condições nas suas cinco áreas de Arquivo e vai fazer a gestão da política de empréstimos dos diversos elementos para as múltiplas utilizações – exposições, publicações e outras formas de divulgação da obra.

 

A Casa compromete-se ainda em manter acessíveis os suportes fisicos que podem ser consultados na Casa da Arquitectura, mediante marcação prévia.

 

Nuno Sampaio considera que “a obra de Paulo Mendes da Rocha é reconhecida pelo seu mérito e qualidade em todo o mundo, somando-se-lhe um reconhecido e publicado pensamento universal”. E conclui: “Tive a oportunidade de trabalhar com o arquiteto no projeto do Museu dos Coches e admiro-o muito pelo seu pensamento e frontalidade. Podendo escolher qualquer instituição no mundo para incorporar o seu acervo, regozijo-me que tenha optado por integrá-lo na Casa da Arquitectura”.

 

Opiniões sobre a vinda do acervo

 

Eduardo Souto de Moura

Fiquei muito feliz por saber que um dos arquitectos, de que talvez mais gosto, entregou o seu espólio ao meu país e que vai ficar guardado junto de outros arquitectos, dos quais também sou amigo e admirador. 

 

Que outros procedam do mesmo modo, para que a Casa da Arquitectura consiga aumentar o prestígio já adquirido. 

 

Arquiteta Catherine Otondo

O conjunto de documentos que fazem parte do Acervo de projetos do arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha é composto por cerca de 9 mil desenhos, dezenas de maquetes, fotografias de obra e publicações. 

A particularidade deste conjunto reside evidentemente na qualidade excepcional dos projetos realizados e na sua temporalidade que atravessa a segunda metade do século XX, e entra no século XXI, dialogando ativamente com o tempo presente. 

Pelo estudo destes documentos, estudantes, professores e pesquisadores do mundo inteiro poderão construir variadas narrativas, de uma história que se inicia nas primeiras décadas dos anos 60, quando o desenho dos projetos era feito à mão livre. 

Cada um dos 320 projetos que compõe o Acervo de Paulo Mendes da Rocha, revela um modo de pensar e de fazer arquitetura singular e único: uma visão entre o local e o universal, e uma reflexão sobre a condição humana no planeta, fundamentos da obra deste arquiteto. 

 

Arquiteto David Adjye

Paulo Mendes da Rocha parte das bases estabelecidas pelos arquitetos da geração do pós-guerra que compreenderam o significado da construção na sociedade como um meio para a edificação.

 

O trabalho de Rocha investiga tipologias críticas procedentes de uma condição de pós-guerra de cidades em ascensão e propõe novas ideias sobre infraestruturas, habitação e o modo de vida urbano. O seu trabalho é profundamente otimista e é um farol para as gerações futuras na compreensão de como avançar nas complexidades do século XXI. 

 

Paulo Mendes da Rocha

 

Prémio Pritzker em 2006, Leão de Ouro de carreira na Bienal de Arquitetura de Veneza  em 2016, Paulo Mendes da Rocha é um dos grandes doadores do acervo da Casa da Arquitectura e o seu primeiro sócio honorário, distinção esta que foi anunciada durante a inauguração da Exposição “Infinito Vão – 90 Anos de Arquitetura Brasileira” em setembro de 2018. Nessa altura, abriu igualmente a Exposição “Duas Casas de Paulo Mendes da Rocha” com curadoria do arquiteto Nuno Sampaio, que ficou patente, na Galeria da Casa, até fevereiro de 2019.

 

Em 2015, Paulo Mendes da Rocha doou o projeto original do Museu dos Coches à Casa da Arquitectura, sendo um dos primeiros arquitetos a oferecer materiais originais para integrar a Coleção Arquitetura Brasileira – um vasto acervo de projetos, desenhos, maquetes e livros que conta a história da arquitetura moderna e contemporânea brasileira de 1930 até à atualidade. Na Coleção, ao cuidado da Casa da Arquitectura, encontram-se projetos tão icónicos como o  Museu Brasileiro da Escultura, o SESC 24 de Maio, a Pinacoteca do Estado, a Casa Gerassi e a Capela de São Pedro.

 

Paulo Mendes da Rocha nasceu em 1928 em Vitória, Estado do Espí­rito Santo, no Brasil, tendo-se formado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, em São Paulo, em 1954. Possui uma obra extensa que se tem vindo a notabilizar a partir do ano de 1957, com a construção do Ginásio do Club Athletico Paulistano, em São Paulo, a sua primeira obra de referência, projeto com o qual ganhou o Grande Prémio Presidência da República na VI Bienal de São Paulo. Em 1969, executou o projeto do Pavilhão Oficial do Brasil na Expo 70, em Osaka, no Japão, juntamente com Flávio Motta, Júlio Katinsky e Ruy Ohtake, e esteve entre os finalistas premiados no concurso para o anteprojeto do Centro Cultural Georges Pompidou, em Paris (1971).

 

Entre os seus principais projetos, encontra-se também o Museu Brasileiro de Escultura – MUBE, em São Paulo (1987), obra que lhe valeu a indicação para o I Prémio Mies van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana, uma iniciativa da Fundação Mies van der Rohe (1999), o restauro da Pinacoteca do Estado de São Paulo, que lhe valeu o Prémio Mies van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana, em Barcelona (2000), a Capela de São Pedro Apóstolo, construção anexa ao Palácio Boa Vista, em Campos do Jordão (1987), o Museu de Arte de Campinas (1989) e a Casa Gerassi (1989/1990), o projeto do conjunto arquitetónico do Cais das Artes, constituí­do por um Museu e um Teatro, na Enseada do Suá, em Vitória, cuja construção teve início em 2010. É também da sua autoria o projeto para uma cobertura sobre a Galeria Prestes Maia, na Praça do Patriarca, em São Paulo (2002) e a intervenção e reforma da Estação da Luz, em São Paulo, convertida em Museu da Língua Portuguesa naquele local (2006).